Yoga na Recuperação Pós-Câncer

August 15, 2016

Males do mundo moderno resolvem-se com uma solução milenar. As asanas (posições), pranayanas (respirações) e meditações que compõem a yoga, prática originada na Índia há 5 mil anos, têm se revelado excelente remédio para diversas doenças. Nas principais universidades dos Estados Unidos, pesquisadores estão descobrindo em mulheres o que os orientais já sabiam há muito tempo: os exercícios não mudam apenas a aparência física, mas operam efeitos significativos no funcionamento do organismo.

 

O estudo mais recente, conduzido pela Universidade Estadual de Ohio, constatou uma redução de 57% nos níveis de fadiga em sobreviventes do câncer de mama, o tipo de tumor maligno mais frequente entre mulheres. A sensação de cansaço e fraqueza é o segundo efeito colateral mais comum da quimioterapia e pode comprometer significativamente a qualidade de vida. “Optamos por trabalhar com esse grupo de pacientes porque sabemos como o tratamento de câncer, que ainda é muito forte, é desafiador para a maioria das pessoas”, diz Janice Kiecolt-Glaser, professora de psiquiatria e psicologia da instituição e principal autora do estudo. O artigo foi publicado na revista especializada Journal of Clinical Oncology.

Durante três meses, 200 pacientes de 27 a 76 anos, com tumores em diferentes estágios e sob diversos tipos de tratamento, participaram de aulas de hatha yoga por 90 minutos cada uma, duas vezes por semana. Essa modalidade, a mais praticada atualmente no mundo ocidental, é bastante centrada na autoconsciência. Ao mesmo tempo, um número igual de mulheres que também tiveram câncer de mama e não entraram para o grupo de yoga foi acompanhado pelos pesquisadores para fazer a comparação de resultados.

 

Além da diminuição da sensação extenuante entre as praticantes, Janice relata um benefício importante: a redução da inflamação celular. Isso foi comprovado por meio de exames de sangue que mediram níveis de ativação de três proteínas sinalizadoras do problema – interleucina-6, interleucina-1 e fator-alfa de necrose tumoral. Já no terceiro mês de estudo, as mulheres que fizeram yoga apresentaram taxas até 20% mais baixas dessas substâncias, comparadas ao grupo de controle. A pesquisadora de Ohio destaca que o processo inflamatório está por trás de diversos males, como doenças autoimunes, neurodegenerativas, diabetes 2 e problemas cardiovasculares, entre outros. Por isso, ela diz que os benefícios constatados na pesquisa não se restringem a pacientes de câncer.

Janice Kiecolt-Glaser conta que os cientistas se surpreenderam porque, até agora, acreditava-se que atividades físicas só reduziam inflamações no caso de pessoas muito acima do peso ou com doenças metabólicas, o que não era o caso das participantes do estudo. “Do ponto de vista biológico, essa foi uma descoberta muito interessante. Acreditamos que o efeito sobre as inflamações seja principalmente devido à meditação e à respiração, dois importantes componentes da yoga”, afirma. A pesquisadora acredita que a melhor qualidade do sono, um outro efeito positivo relatado pelas participantes, pode ter influência na diminuição do processo inflamatório.

Para a indiana Neha Gothe, pesquisadora da área de saúde e fisiologia da Universidade Estadual de Wayne, ainda há muito o que se descobrir sobre essa prática de 5 mil anos. “A yoga está se tornando cada vez mais popular, mas seus benefícios em potencial ainda não foram completamente explorados”, acredita Neha, que recentemente constatou que apenas 20 minutos já melhoram algumas funções cognitivas. “As pesquisas sobre yoga estão apenas começando a ganhar adesões ao redor do globo. Mas os estudos já disponíveis têm mostrado descobertas muito promissoras sobre todos os aspectos da saúde física e mental e da cognição”, informa.

Benefícios diversificados
Estudos recentes demonstram que a prática milenar é efetiva no combate a diversos males que afetam as mulheres: da depressão durante a gravidez aos incômodos da menopausa

INSÔNIA
Doze aulas de yoga aliadas à prática em casa diminuem a insônia em mulheres na menopausa. O estudo do Group Health Research Institute contou com 249 participantes, previamente sedentária, de várias partes dos EUA. O exercício moderado foi associado à melhoria do sono e a um abrandamento da depressão.

RESPIRAÇÃO
Um estudo com 29 mulheres e homens com doença crônica pulmonar obstrutiva (bronquite e enfisema) relataram maior qualidade de vida depois de 12 semanas de yoga. Eles passaram a respirar melhor e apresentar níveis menores de inflamação nos pulmões. As aulas de uma hora incluíam meditação, relaxamento, asanas (posturas físicas) e pranayamas (técnicas respiratórias) e foram repetidas duas vezes por semana, ao longo de um mês.

 

DOR
Um programa de yoga oferecido pelo Hospital de Cirurgias de Nova York a 119 pacientes com mais de 65 anos — a maioria mulheres — registrou principalmente a redução da dor. Depois de seis a oito semanas de ioga para iniciantes e alongamentos, os resultados foram significativos: 48% menos dor, 69% das participantes conseguiram subir mais degraus e 83% mais voluntárias foram capazes de se inclinar e ficar de joelhos, entre outros.

 

MEMÓRIA E ATENÇÃO
Uma única sessão de 20 minutos de hata-yoga melhorou significativamente o desempenho de jovens mulheres em testes de memória de trabalho e controle inibitório, duas medidas das funções cerebrais associadas à habilidade de manter o foco, reter e usar novas informações. O estudo foi conduzido pelas universidades de Illinois e de Detroit.

 

PRESSÃO ARTERIAL
Depois de 24 semanas de prática, mulheres e homens hipertensos foram beneficiados com uma média de três pontos a menos nas pressões sistólica e diastólica, passando de 133/80 para 130/77. Em comparação, os pacientes que não praticaram yoga e fizeram uma dieta controlada só tiveram um ponto de queda, de 134/83 para 132/82.

 

 

DEPRESSÃO
Gestantes em risco de depressão que participaram de um programa de 10 semanas de meditação e yoga da Universidade de Michigan relataram a diminuição dos sintomas depressivos e o aumento da ligação com os bebês depois do treinamento, sem necessidade de intervenção farmacológica.

 

FONTE: PALOMA OLIVETO – CORREIO BRASILIENZE -HTTP://SITES.UAI.COM.BR/APP/NOTICIA/SAUDEPLENA

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